domingo, 24 de janeiro de 2016

Extensão rural: avaliação responsável ou suicídio




Bom dia a todos,

Por aqui foi apresentada uma planilha de avaliação dos serviços de ATER como se a Casa da Agricultura fosse um consultório médico. Então, o resultado é o seguinte: uma consulta custou tanto ao governo do Estado de São Paulo. Já uma visita de orientação o custo foi tanto. Essa forma de avaliar os serviços de ATER é equivocada e não contempla os efeitos ao longo do tempo dos trabalhos que são realizados. Portanto, não é uma avaliação. Não se pode avaliar um serviço que integra uma política pública considerando somente os seus custos e os dados quantitativos da metodologia utilizada. Esse tipo de abordagem é uma arma poderosa dada gratuitamente para quem quer destruir o serviço com fundamentação na Tese do Estado Mínimo, ou seja, privatizar a extensão rural pública e gratuita ou entregar definitivamente para que as ONGs façam esse trabalho, pois custaria menos para o Estado, independente da qualidade. Aliás, não existe no mundo nenhuma avaliação de política pública ou de um serviço que considere somente o seu custo e os dados quantitativos das diferentes atividades metodológicas e despreze os impactos que foram gerados. Eu questiono: será que esse tipo de avaliação em que se considera somente custos dos serviços prestados pela extensão rural é realizada em todas as Regionais? Em caso afirmativo, respeitosamente tomo a liberdade de me posicionar: o caminho escolhido é o da contramão do interesse público e não se fundamenta em nenhuma metodologia minimamente aceitável. Trata-se de um suicídio ou ao menos um importante passo para se dar fim à extensão rural pública. Como se pode avaliar o custo e não os resultados diretos e indiretos de determinado serviço?

Em 2007 publicamos um artigo em que apresentamos um modelo de avaliação de política pública ou de um serviço, como é o caso da extensão rural. Propusemos um modelo de avaliação desenvolvido por um órgão reconhecido internacionalmente, que considera a forma como o serviço ou política foi implantado, os atores que se envolveram, como foi realizada. Considera-se a sua pertinência, eficácia, eficiência e impactos. Enfim, é necessário abrir a caixa preta da política/serviço para entender como foi elaborado, quanto se gastou e quantificar e qualificar os seus efeitos diretos e indiretos. Naquele texto afirmamos que a avaliação de um serviço como a extensão rural deve considerar, sobretudo, todos os seus efeitos:

"Os efeitos de uma política sobre a sociedade não se limitam àqueles que foram previstos e são esperados ou, pelo menos, desejados, de acordo com os seus objetivos. A avaliação deve considerar os efeitos colaterais que a política pode acarretar. Analisar o impacto é apreciar todos os efeitos que foram produzidos com a ação, sejam eles de caráter técnico, econômico, político, social ou ambiental".

A ação da extensão rural e pesqueira é imprescindível para a promoção da sustentabilidade para as atividades econômicas desenvolvidas pelo seu público-alvo. Considerando que a sustentabilidade não é constante/estática, a existência de um serviço de extensão bem estruturado com atuação perene também é necessário. Assim, a avaliação dos serviços de extensão não pode ser fundamentada somente no custo do serviço. Afinal, onde se quer chegar com um dado que sequer representa uma avaliação?

Segue anexado o texto que publicamos e que é voltado para uma atividade em determinado território, mas a metodologia pode ser aplicada para outras atividades. Sinceramente desejo que a iniciativa apresentada por esses lados seja pontual, que parte de alguém que não tem intimidade/proximidade com o tema e, por isso, pode complicar e não esclarecer, pois a metodologia deve ter brotado da necessidade de ocupar um determinado tempo livre.

Entendo que a AGROESP e a APAER (sou associado de ambas) devem estar atentas a esse tipo de iniciativa e ter um posicionamento claro sobre o tipo de avaliação adequada ao serviço de extensão rural e pesqueira. Caso contrário, todo o trabalho desenvolvido por essas entidades para valorizar e aperfeiçoar os serviços que são prestados serão jogados na lata do lixo.

Link para download de Modelo Teórico

Atenciosamente,

Newton Rodrigues
C.A. Santos/EDR São Paulo

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