quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Governo de SP e Hospital de Câncer de Barretos orientarão aplicação correta de defensivos agrícolas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e o Hospital de Câncer de Barretos farão, a partir de setembro próximo, trabalho de orientação com os produtores rurais sobre a correta aplicação dos defensivos agrícolas. A iniciativa faz parte de projeto da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e inclui ainda uma pesquisa sobre a predisposição genética de 300 agropecuaristas para o desenvolvimento do câncer com objetivo de prevenir a doença.

O trabalho será realizado pela Casa da Agricultura de Barretos, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria, em quatro comunidades rurais do município: Alberto Moreira, Lagoinha, Cachoeirinha e Três Barras – mas pode ser futuramente ampliado a outras localidades. O início será em setembro porque em agosto, além do famoso rodeio da cidade, são realizadas festas tradicionais da zona rural na região – organizadas pelos próprios produtores.

A conscientização e a pesquisa serão feitas em reunião nas comunidades, onde será exibido um vídeo com as orientações de segurança na aplicação dos produtos como equipamentos de proteção individual, limpeza esmerada e cuidados pré e pós aplicação. Após o vídeo, os homens e mulheres do campo que se dispuserem terão seu sangue coletado para verificar a predisposição deles ao câncer.

O secretário Arnaldo Jardim destacou a importância de pesquisas que garantam mais segurança ao cotidiano rural, lembrando ainda que, quando usados corretamente, os agroquímicos não são vilões. “Não podemos demonizar a ciência. Os defensivos são importantes em um país com uma agricultura de escala como temos no Brasil. O que é preciso é disciplinar este uso, aplicar de forma correta, na quantidade certa para garantir segurança ao trabalhador e saudabilidade aos alimentos, diretrizes que o governador Geraldo Alckmin sempre reforça para nós da Secretaria de Agricultura”, afirmou.

“Este trabalho não é para afirmar que o agrotóxico causa câncer, a pesquisa vai identificar a predisposição dessas pessoas à doença”, esclareceu o engenheiro agrônomo Rolando Salomão Carvalho Custódio do Nascimento, responsável pela Casa da Agricultura de Barretos. Ele lembra ainda que a Opas realiza o mesmo tipo de estudo com trabalhadores de outros setores, como a construção civil, por exemplo.

“Nós não temos como finalidade afirmar que o agroquímico causa câncer, o objetivo é que seja um projeto de prevenção primária de câncer”, reforça o médico oncologista Henrique Silveira, pesquisador do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular do Hospital de Câncer de Barretos. “A gente às vezes pensa que quem vive no campo não está exposto a nada, mas está sim, principalmente as pessoas que usam em demasia esses produtos”, completou.

Confiança

A Casa da Agricultura foi escolhida pela proximidade com o produtor rural. Para convencer alguém a doar seu sangue para uma pesquisa como esta é preciso confiança, um valor que permeia a relação da CATI com os homens e mulheres do campo. O primeiro contato foi feito em janeiro deste ano e estabeleceu o cronograma de atividades. Mas como se trata de pesquisa com humanos, era preciso ter a aprovação do Conselho de Ética do Hospital.

Já em fevereiro, os técnicos da CATI iniciaram as primeiras conversas com os moradores das comunidades, recebendo no mês de julho sinal verde definitivo dos conselheiros. “Quando se fala de agrotóxico e câncer, eles se identificam com o tema e acham isso importante. O mais delicado é convencer sobre a coleta do sangue, mas em um primeiro momento eles já abraçaram a ideia”, aponta o engenheiro agrônomo.

Até setembro, quando as atividades terão início, a parceria produzirá o vídeo a ser exibido. Atualmente a Casa da Agricultura busca uma propriedade com uma estrutura adequada para as filmagens, que serão feitas por uma produtora de vídeo de São Carlos.

“É muito importante essa ajuda da CATI, é uma parceria fantástica. Estamos tomando muito cuidado para não afirmar que o agrotóxico causa câncer”, reforça o pesquisador do Hospital de Câncer de Barretos, lembrando que os defensivos “são caracterizados como provavelmente cancerígenos”. Ou seja, é apenas uma probabilidade.

A iniciativa conta ainda com a participação do Ministério da Saúde. Interessados e interessadas em participar do estudo devem procurar a Casa da Agricultura de Barretos para mais informações. O endereço é Rua Quatro, 966. O telefone é o (17) 3322-8482.

Fonte: CATI

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